Displasia da anca

A displasia da anca é uma doença degenerativa que afeta principalmente os cães de grande porte.

Na rádio Vagos FM com a Veterinária Dra. Ana Neves

Fonte: Vagos FM

Transcrição do áudio de Dra. Ana Neves

Olá, boa tarde a todos. O meu nome é Ana Neves, sou médica veterinária na ClinicZoo – clínica veterinária de vagos. Bem-vindos a mais uma rubrica minutos VET. Esta semana vou falar-vos sobre displasia da anca.

A displasia da anca é um problema ortopédico que é das doenças mais comuns em cães de grande porte, se bem que pode acontecer também em gatos. Ocorre quando há uma má congruência entre a cavidade do acetábulo que é uma estrutura da bacia, e a cabeça do fémur. Quando esta ligação, esta articulação não é feita de forma correta ou porque está luxada ou sub-luxada vai provocar com, o tempo, mudanças degenerativas e inflamação quer nos ossos envolvidos na articulação, quer na própria articulação. Surge, inflamação e surge dor e, normalmente, os cães têm tendência depois com a dor e com o desconforto a exercer mais força nos membros anteriores, portanto, vão projetar o peso para os membros anteriores, diminuindo a carga nos membros posteriores e com o tempo vai aparecendo também atrofia muscular nos membros posteriores.

É uma doença que tem uma forte componente genética, portanto é transmitida entre gerações entre pais e filhos e, por outro lado, está associada ao rápido crescimento dos animais, em que as estruturas que suportam a ligação ficam mais sensíveis e não crescem à mesma, podem não crescer à mesma velocidade. Os sintomas dependem de animal para animal e da forma como o animal lida com a dor. Normalmente surgem também de forma progressiva à medida que a articulação se vai deteriorando e os sintomas vão se agravando, portanto, eles surgem de forma progressiva e podem começar quando o animal tem à volta dos 4, 5, 6 meses de vida.

O que é que podem, o que é que os donos, os tutores podem notar? Alteração no modo de andar em que eles andam oscilante, a resistência ao exercício, normalmente aquilo que as pessoas reportam é que vão fazer caminhadas ou corridas com o cão e o cão para frequentemente, a meio do caminho senta-se, faz uma determinada distância e senta-se, portanto, e começa a se sentar com frequência em casos mais avançados, para além desta resistência ao exercício, há mesmo dor na locomoção em geral.

Portanto, como referi atrás atrofia muscular, estes sinais de dor crónica que também se podem traduzir como alterações comportamentais, alguns cães, inclusivamente, chegam a ser agressivos. Portanto, para evitar o toque para evitar a manipulação, quando as pessoas se tentam aproximar deles, quando eles estão num período de descanso e até tão minimamente confortáveis, ao pensarem que ao serem tocados que lhes vai doer, alguns têm a tendência de mostrar agressividade para evitar esta manipulação.

O diagnóstico é feito através de radiografia com um animal devidamente anestesiado. O tratamento é cirúrgico para a displasia da anca, sendo que há várias abordagens cirúrgicas possíveis que são avaliadas e decididas pelo médico veterinário cirurgião e variam em função e que vão depender de vários fatores, como o grau de luxação, idade do animal, condição corporal, etc.

As recomendações que fazemos para estes casos, o que é que é importante? É importante avaliar os animais de porte grande, principalmente e nomeadamente os de raças predispostas, como os Labradores, pastores alemães, tudo que são cães de raças grandes e gigantes devem ser avaliados a partir do quarto mês de vida. Portanto, a primeira radiografia de despiste deve ser feita ao quarto mês de vida. Quanto mais cedo, primeiro porque o animal tem dor quando a displasia da anca e, portanto, para retirar a dor ao animal e depois, quanto mais cedo for feita a cirurgia, menos alterações há na circulação, há na articulação e melhor o prognóstico cirúrgico não é? E o que interessa é ter um animal com qualidade de vida ao longo da sua vida toda. Manter o animal com um peso adequado também é muito importante. Às vezes, o fator peso, diminuir a carga na articulação faz muitas vezes diminuir drasticamente os sintomas e a dor.

Existe uma associação em Portugal que é APMVEAC, a que a Associação Portuguesa de Médicos Veterinários Especialistas em Animais de Companhia, que desenvolveu um programa de despiste e controlo, displasia da anca. Qualquer pessoa que tenha um cão, qualquer tutor que tenha um cão que esteja inscrito no livro de Origens português, que é um livro que vai assegurar no fundo que o animal é de determinada raça pode a participar neste programa, nomeadamente criadores, não é? Então, ao adquirir um animal, uma das coisas que pode fazer de que tem estas características de uma raça grande ou gigante pode fazer, é questionar os criadores em relação aos progenitores do animal, se têm o despiste feito e isso tem a classificação, isso pode inclusivamente, apresentar o relatório do programa.

A APMVEAC avalia a displasia da anca em vários graus, desde o grau A que é a ausência de displasia até ao grau E que é displasia severa e grave e acaba por ser no fundo, uma forma de a assegurar, não garantir, não há nada que garanta, mas diminuir a probabilidade desse animal vir a desenvolver displasia. O próprio animal também pode ser adquirido, também pode ser por volta do ano de idade e também pode participar neste programa e certificarem-se que não têm de facto a displasia. Em termos de resolução, a medicina veterinária está cada vez a mais evoluída, inclusivamente, já há em Portugal médicos veterinários ortopedistas a fazerem colocação de próteses na articulação da anca, à semelhança daquilo que se faz na humana.

Por esta semana é tudo!

Obrigada e até para a semana.

Palavras Chave

  • Displasia da anca

  • Cães de grande porte

  • Doença degenerativa

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