É essencial respeitar as necessidades dos nossos amigos felinos e caninos.

Na rádio Vagos FM com a Veterinária Dra. Ana Neves

Fonte: Vagos FM

Rúbrica com a Dra. Ana Neves

Olá a todos!

O meu nome é Ana Neves, médica veterinária na ClinicZoo – Clínica Veterinária de Vagos, e dou-vos as boas-vindas a mais uma rúbrica dos “Minutos Vet”.

Esta semana vou falar sobre a humanização dos animais de companhia. Humanizar significa atribuir características humanas a algo, que, neste caso, são os nossos animais de companhia. Ou seja, assumir que têm necessidades e características idênticas às do homem. A humanização pode trazer benefícios para ambas as partes, não só para os animais, mas também para o ser humano, porque pode contribuir para o bem-estar emocional do homem, pelo vínculo que se estabelece com os animais. Por outro lado, estando mais emocionalmente ligados ao animal, os seres humanos também ficam mais disponíveis para investir no seu animal de companhia, dedicando tempo à prestação de cuidados como saúde, higiene, alimentação, etc. Portanto, desta forma, é um benefício para ambas as partes.

Muitas vezes, isto é levado a um extremo que deixa de ser saudável para ambos. Por exemplo, no caso dos animais, ouço com alguma frequência tutores dizerem que querem dar colo ao gato. Eles dizem: “Eu quero dar colo ao meu gato.” Na perspectiva humana, o colo é um comportamento de afeto, certo? É uma manifestação de que gostamos do nosso gato; queremos dar-lhe carinho. É um comportamento aflitivo que praticamos quando gostamos muito de alguém ou de algo, neste caso, um animal. Na perspectiva do gato, a situação não funciona da mesma forma. Na natureza, o gato é presa, alvo de um predador, e, nesta perspectiva, precisa sempre de sentir que tem possibilidade de fuga, caso surja um perigo a qualquer momento. Ao darmos colo ao gato, aprisionamo-lo, e provavelmente o que ele tentará fazer é fugir do colo. Isto não significa que o gato não goste daquela pessoa ou que não queira estar com ela, mas sim que o gato não se quer sentir preso.

O banho é outra questão, relacionada também com os gatos. Os gatos não precisam de tomar banho, exceto em situações específicas e com problemas de pele. Portanto, o gato, para além de assegurar a sua própria higiene — porque ele se lava —, tem espalhados pelo corpo determinados odores e feromonas que contribuem para o seu bem-estar. Ao darmos banho, estamos a retirar esses odores e, por outro lado, a substituí-los por um odor artificial, que é o perfume do champô. Embora seja agradável na perspectiva humana, é stressante para o animal.

Outro exemplo que poderia mencionar são as festas de aniversário, ou o facto de sentar o animal de companhia à mesa. Isto vê-se mais com os cães. Dar o mesmo número de refeições ao nosso cão que o ser humano não faz sentido, uma vez que os hábitos alimentares do homem, do cão e do gato são muito diferentes entre eles. Assim, a humanização dos animais de companhia pode trazer benefícios na medida em que aumenta o vínculo entre o homem e o seu animal, mas pode comprometer o bem-estar dos animais, a partir do momento em que não são respeitadas as necessidades que têm enquanto espécie. Muitas vezes, isto acontece por desconhecimento do ser humano, e interfere com o bem-estar do animal.

Obrigada por nos ouvir e até à próxima!

Palavras Chave

  • Humanização

  • Gatos

  • Cães

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