Na rádio Vagos FM com a Veterinária Dra. Ana Neves

Fonte: Vagos FM

O sono do gato

É do conhecimento geral que o gato dorme e descansa muitas horas ao longo do dia e, de facto, isso corresponde à realidade. Regra geral, os gatos dormem mais do que os cães e significativamente mais do que o ser humano, podendo dormir entre 14 a 18 horas por dia. Naturalmente, existem variações individuais e alguns gatos podem dormir ainda mais tempo, mas, em média, o período de sono situa-se dentro destes valores.

Tal como acontece no ser humano e no cão, os animais mais jovens dormem mais, uma vez que necessitam de mais tempo de descanso para um correto desenvolvimento. Já os gatos adultos tendem a ter períodos de sono mais curtos.

Antigamente, e ainda hoje nos gatos que vivem no exterior, os chamados gatos outdoor, existia uma maior tendência para a atividade noturna. Estes gatos dormiam mais durante o dia e apresentavam maior atividade durante a noite. Este comportamento está relacionado com a disponibilidade de alimento e de pequenas presas para caçar, que surgem com mais frequência em períodos de maior tranquilidade, normalmente à noite, em contraste com a maior agitação diurna. No entanto, isto não significa que o mesmo tenha de acontecer com gatos que vivem dentro de casa com os seus tutores.

As 16 a 18 horas de sono referidas não correspondem a um período contínuo. O sono do gato é dividido em vários blocos ao longo do dia. É frequente observarmos um gato a dormir, acordar para comer, mudar de local e voltar a dormir novamente. De um modo geral, os gatos que vivem em ambientes pouco estimulantes, onde têm “pouco para fazer”, tendem a descansar durante mais tempo.

Como promover uma boa rotina de sono no gato, especialmente à noite?
Existe um pequeno truque conhecido como a regra do “caçar, comer e dormir”, que pode ser aplicado antes do momento em que os tutores se vão deitar, ajudando também o gato a ir descansar. Consiste em promover um período curto de brincadeira com o gato, cerca de 10 a 15 minutos, simulando comportamentos de caça. É importante lembrar que os gatos preferem interações curtas, pelo que sessões longas de brincadeira não são necessárias. Após esse momento, deve ser disponibilizada comida ao gato e, regra geral, este irá descansar de seguida.

Outro aspeto fundamental para uma boa rotina de sono é a criação de um ambiente rico em estímulos. Durante os períodos do dia em que o gato está sozinho, deve ter oportunidades de interagir com o ambiente e não passar o dia inteiro apenas a dormir.

Algumas estratégias para promover esse enriquecimento ambiental incluem:

  • a utilização de puzzles alimentares, em vez de deixar a ração sempre disponível na taça, incentivando o gato a “trabalhar” para obter alimento;
  • brinquedos dispensadores de comida;
  • arranhadores adequados e bem posicionados pela casa;
  • criação de zonas altas e seguras onde o gato possa trepar;
  • acesso a janelas, permitindo que o gato observe o exterior.

Estas medidas ajudam a aumentar a atividade do gato durante o dia, promovendo um descanso mais adequado durante a noite.

Sinais de alerta no sono do gato
À semelhança do cão, o deambular noturno não é considerado normal num gato sénior e deve ser avaliado por um médico veterinário.

É também importante chamar a atenção para um pormenor frequente: quando o gato acorda a meio da noite e desperta os tutores, se estes se levantarem para lhe dar comida, estão a reforçar positivamente esse comportamento. Como consequência, é provável que o gato volte a repetir este padrão no futuro. Uma alternativa pode ser deixar alimento disponível — algo que muitos gatos toleram bem — ou recorrer a dispensadores automáticos de comida, que libertam alimento a intervalos regulares. O gato acaba por responder ao som do dispensador, sem associar esse momento à intervenção direta do tutor.

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