Na rádio Vagos FM com a Veterinária Dra. Ana Neves
Fonte: Vagos FM
O seu gato come, por isso não tem dor na cavidade oral? Esta é uma conclusão frequentemente tirada pelos tutores que, ao verem o gato alimentar-se, não têm a perceção de que pode existir dor na boca. Sabemos que, por uma questão de sobrevivência, o gato tenta esconder fragilidades, como a dor. No entanto, vai dando sinais muito subtis, sobretudo nas fases iniciais da doença. Por isso, é importante conseguir identificar esses sinais para perceber que o animal não está bem e evitar que a situação evolua para uma fase mais avançada, em que, efetivamente, já não consegue ingerir alimento.
Até chegar a esse ponto limite, o gato pode apresentar pequenos sinais durante a refeição. Pode comer e deixar cair alimento, sendo comum encontrar migalhas ou pedaços de ração à volta da taça. Pode mastigar apenas de um lado, passar subitamente a preferir alimento húmido, engolir a ração inteira sem a mastigar ou comer com a cabeça inclinada. São sinais discretos, que exigem atenção para serem identificados.
Também podem surgir sinais fora da refeição. O gato pode tornar-se mais intolerante ou reativo, isolar-se dos restantes membros da família ou de outros animais, dormir durante mais tempo e procurar esconderijos com maior frequência. Outra alteração possível está relacionada com a higiene pessoal. Devido à dor, alguns gatos deixam de fazer a sua higiene habitual ou reduzem a frequência com que a fazem. Nesses casos, o pelo pode começar a apresentar mais nós ou ficar mais empastado do que era habitual.
Noutros casos, pode acontecer o contrário: o gato aumenta a frequência da higiene como forma de tentar aliviar o desconforto. Quando isso acontece, podem surgir zonas do corpo com menos pelo ou mesmo áreas visivelmente sem pelo. Outro sinal importante é a alteração da resposta ao toque. Um gato que antes gostava de festas na cabeça, procurava contacto ou se roçava nos tutores pode deixar de o fazer. Quando alguém tenta tocar-lhe, pode afastar-se discretamente ou tornar-se mais reativo, tentando fugir ou morder.
As doenças da cavidade oral são variadas e podem incluir doença periodontal, estomatites, situações crónicas ou agudas e fraturas dentárias, entre outras. O mais importante é detetar estes sinais o mais cedo possível e procurar ajuda de um médico veterinário para uma avaliação adequada. O facto de o gato continuar a comer não significa que não tenha dor na cavidade oral.