Na rádio Vagos FM com a Veterinária Dra. Ana Neves
Fonte: Vagos FM
Os bigodes do gato, também conhecidos como vibrissas, são estruturas sensoriais extremamente importantes no dia a dia do animal. Funcionam como verdadeiros sensores, capazes de detetar pequenas deslocações de ar. Por exemplo, se houver movimento de um objeto ou de outro animal nas proximidades, o gato consegue pressentir e identificar essa vibração mesmo sem estar a olhar diretamente.
As vibrissas ajudam ainda o gato a perceber melhor o espaço à sua volta. Graças a elas, consegue avaliar se o seu corpo passa por uma determinada abertura, evitando ficar preso. Além disso, também compensam o ângulo cego da visão. Embora o gato tenha uma excelente visão ao longe, tem mais dificuldade em focar ao perto, pelo que utiliza as vibrissas para se orientar melhor em relação ao que está imediatamente à sua frente, especialmente durante a caça.
A posição das vibrissas também pode dar pistas sobre o estado emocional e físico do gato. Quando estão relaxadas, juntamente com o restante rosto, geralmente indicam que o animal está calmo. Se estiverem viradas para a frente, podem revelar curiosidade ou sinal de caça iminente. Por outro lado, quando estão encostadas à face e viradas para trás, podem indicar medo ou agressividade. Em alguns casos, se estiverem mais levantadas ou tensas, também podem ser um sinal de dor.
Na medicina veterinária, existe inclusivamente a Feline Grimace Scale, uma escala validada para a avaliação da dor aguda em gatos, que inclui, entre outros parâmetros, a observação da posição dos bigodes. Este é mais um exemplo de como estas estruturas são fundamentais para compreender melhor o bem-estar felino.
Por agora é tudo. Obrigada.