Na rádio Vagos FM com a Veterinária Dra. Ana Neves
Fonte: Vagos FM
Vou falar sobre a aquisição de um animal de companhia, ou seja, sobre adotar ou comprar, analisando os prós e os contras de cada uma dessas opções.
Em relação à adoção, as vantagens são várias e têm um impacto direto no bem-estar do animal, uma vez que este é retirado de um contexto de abrigo para ser inserido numa família, o que é claramente mais benéfico. Além disso, ao adotar, abre-se espaço para que outro animal também possa ser acolhido e ajudado.
Quando se opta pela adoção, existe uma maior diversidade de perfis, tanto morfológicos como de temperamento. Ou seja, é possível encontrar animais de maior ou menor porte, mais novos, bebés ou já adultos, bem como animais com personalidades muito diferentes. Isso faz com que a diversidade na escolha seja bastante maior.
Atualmente, algumas associações preocupam-se em avaliar o perfil comportamental e de personalidade do animal, assim como o perfil da família, tentando fazer a combinação mais adequada. Esta preocupação ajuda a evitar devoluções no futuro e aumenta a probabilidade de uma integração bem-sucedida.
Outra vantagem da adoção são os custos iniciais, que, regra geral, são bastante mais baixos do que no caso da compra de animais de companhia. A principal desvantagem da adoção poderá ser a maior probabilidade de alguns animais apresentarem medos ou inseguranças. Ainda assim, isso não é, por si só, determinante do comportamento do animal.
No caso da compra, existe a vantagem de o tutor poder escolher determinadas características morfológicas do animal e de haver alguma previsibilidade comportamental. Isto porque há raças que tendem a apresentar, de forma mais marcada, determinados comportamentos. Por exemplo, os labradores são muitas vezes descritos como mais brincalhões. No entanto, a raça não determina totalmente o comportamento, já que também existem labradores com temperamentos diferentes, menos ativos ou menos gulosos do que aquilo que é mais habitual.
Criadores responsáveis promovem um bom maneio dos animais e aplicam medidas de medicina preventiva, como vacinações e desparasitações. Os animais são entregues já identificados e com os boletins sanitários atualizados, incluindo os registos de vacinas e desparasitações. Além disso, beneficiam de uma boa manipulação desde cedo, tornando-se mais tolerantes ao toque, mais habituados à presença humana, mais confiantes, mais seguros e mais saudáveis.
Os bons criadores também fazem despistes de doenças mais comuns na raça, como, por exemplo, a displasia da anca, que pode ser identificada nos progenitores e é uma patologia transmissível de pais para filhos.
O principal problema da compra são os custos, que, normalmente, são mais elevados do que na adoção. Se o preço for demasiado baixo, isso pode ser um sinal de alerta, indicando que algo poderá não ter sido feito corretamente. Existe ainda o risco do comércio irresponsável. Em casos extremos, há situações de fábricas de cães e gatos, locais onde os animais vivem enjaulados com o único propósito de se reproduzirem. Nesses contextos, não têm contacto adequado com o ser humano nem recebem os cuidados de medicina preventiva necessários para um desenvolvimento saudável, tanto a nível físico como comportamental.
Em resumo, tanto a adoção como a compra têm vantagens e desvantagens. O mais importante é que a decisão seja tomada de forma consciente, informada e responsável, colocando sempre o bem-estar do animal em primeiro lugar.